Plano de adaptação às alterações climáticas identifica vulnerabilidades nos municípios da Arrábida

A identificação das vulnerabilidades dos municípios de Setúbal, Palmela e Sesimbra face às alterações climáticas, e a elaboração de propostas de intervenção são os principais objetivos do projeto PLAAC Arrábida, que hoje foi apresentado em videoconferência.

O PLAAC Arrábida – Plano Local de Adaptação às Alterações Climáticas, que abrange os três municípios com territórios na serra da Arrábida, representa um investimento global de 165 mil euros, financiado em 90% pelo Programa Ambiente, Alterações Climáticas e Economia de Baixo Carbono do Mecanismo Financeiro EEA Grants 2014-2021, criado pelo Lichtenstein, pela Noruega e pela Islândia.

Segundo Cristina Daniel, diretora executiva da ENA – Agência de Energia e Ambiente da Arrábida, entidade coordenadora do PLAAC Arrábida, o projeto arrancou no passado mês de fevereiro e vai decorrer até agosto do próximo ano nos três municípios, no distrito de Setúbal.

“Precisamos de perceber como é que o nosso território se vai conseguir adaptar a estas alterações, que nós já não conseguimos evitar”, disse à agência Lusa Cristina Daniel.

A diretora executiva da ENA salientou a importância de o consórcio do projeto, além da ENA e dos municípios de Setúbal, Palmela e Sesimbra, envolver também o Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa e a Faculdade de ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

“Nós vamos trabalhar com os nossos municípios e com estas duas universidades, ou com estes dois institutos universitários, para identificar quais são as vulnerabilidades, quais são os riscos imediatos e os riscos em diversas áreas temporais”, disse.

Serão identificadas, por isso, as medidas que os municípios poderão implementar no terreno, para tornarem estes territórios e as suas populações mais resilientes.

Segundo a diretora executiva da ENA, “há um conjunto de efeitos das alterações climáticas que já são percetíveis na Península de Setúbal e na Área Metropolitana de Lisboa, mas que estão a acontecer 10/20 anos antes do que se previa, pelo que se torna necessário desenvolver ações concretas para minimizar esses impactos”.

“Também há algumas vulnerabilidades que já estão identificadas nos três municípios da Arrábida, designadamente a erosão da zona costeira nos municípios de Setúbal e Sesimbra, as inundações em Setúbal e os fogos rurais, que constituem uma vulnerabilidade dos três municípios”, sublinhou.

Depois de concluído o projeto, em agosto do próximo ano, deverão estar devidamente identificadas de forma detalhada as principais vulnerabilidades às alterações climáticas nos três municípios, que deverão adotar as medidas propostas pelo grupo de trabalho do PLAAC Arrábida.