Ordem dos Médicos preocupada com futuro do Centro Hospitalar de Setúbal

A Ordem dos Médicos vai reunir-se esta segunda-feira com os diretores de serviço e de unidades médicas do Centro Hospitalar de Setúbal (CHS), que se debate com vários problemas, incluindo a falta de clínicos.

Numa nota, o Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos referiu que a reunião, marcada com caráter de urgência, surge na sequência das recentes tomadas de posição dos vários diretores de serviço e de unidades médicas do CHS e da subsequente solicitação da atenção e solidariedade por parte do organismo.

“A situação no CHS – onde o conselho de administração preferiu uma estratégia de confronto e desconsideração pelos médicos e as suas direções, em detrimento do diálogo e do interesse dos doentes – é preocupante e merece particular atenção e acompanhamento”, lê-se na nota.

A Ordem dá conta da existência de um conjunto de promessas antigas do conselho de administração e da tutela que nunca se concretizaram, adiantando que os médicos manifestaram também a sua preocupação com “o êxodo, falta de atratividade e falta de renovação de quadros médicos, que vai levar, a curtíssimo prazo, ao colapso de vários serviços e valências hospitalares”.

“O Centro Hospitalar de Setúbal é um dos principais hospitais da região sul do país e é, pois, inaceitável a não resolução de problemas que se arrastam há demasiados anos”, conclui a Ordem dos Médicos.

Há cerca de duas semanas os diretores de serviço do CHS defenderam uma reclassificação do Hospital de São Bernardo e o início das obras de ampliação daquela unidade previstas no Orçamento de Estado de 2021.

“O Hospital de São Bernardo tem uma diferenciação que é muito superior àquela que nos é atribuída em termos de financiamento. E isso redunda num défice de 11 milhões de euros”, disse o diretor de Infecciologia do Hospital de São Bernardo, José Poças, numa audição da comissão parlamentar de Saúde realizada por videoconferência, a pedido do PAN.

A reclassificação do Hospital de São Bernardo – que, juntamente com o Hospital Ortopédico do Outão, integra o CHS – permitiria que os atos médicos fossem pagos a um valor superior, idêntico ao que é pago a outros hospitais, como o Garcia de Orta, em Almada, e que, segundo José Poças, representaria um valor na ordem dos 11 milhões de euros.

Além da reclassificação, os diretores de serviço do Hospital de São Bernardo sublinharam a necessidade de se avançar rapidamente com as obras de ampliação, que já têm uma dotação orçamental de 17,2 milhões de euros no Orçamento do Estado de 2021 e que deveriam arrancar ainda este ano.

O infeciologista José Poças lembrou, no entanto, que o plano de construção, elaborado há cerca de seis anos, “já não responde às necessidades atuais e futuras daquela unidade hospitalar”, dado que o Hospital de São Bernardo terá de acolher todos os serviços do Hospital Ortopédico do Outão, que será desativado.

Para os diretores de serviço, as dificuldades vividas diariamente pelos profissionais de saúde no Hospital de São Bernardo acabam também por levar à saída de alguns deles, colocando em causa a substituição daqueles que se vão reformando em diversas especialidades.

Perante a Comissão de Saúde, José Poças deixou ainda um alerta para as consequências que a degradação progressiva do Hospital de São Bernardo poderá ter num futuro próximo, se nada for feito para corrigir a situação muito rapidamente.