Alfred Brendel regressa aos palcos em Almada para falar de música e de poesia

O pianista Alfred Brendel, que se afastou das salas de concerto em 2008, regressa hoje aos palcos, em Almada, no âmbito do Festival dos Capuchos, para a conferência “My Musical Life”, sobre o seu percurso, indica o programa do certame.

Alfred Brendel, de 90 anos, pianista que uma carreira de seis décadas e leituras premiadas de compositores como Mozart, Beethoven, Schubert, confirmou como um dos “grandes intérpretes mundiais”, é também um poeta consagrado de língua alemã, com diversos livros publicados.

Assim, é como poeta que, no domingo, regressará ao festival que o homenageia, para o recital “Brendel: Poesia e Música”, dedicado aos seus textos – por vezes curtos, quase sempre marcados pela sagacidade, pela ironia e pelo humor -, em que será acompanhado por seu filho, o violoncelista Adrian Brendel.

A conferência, hoje, às 18h30, no Convento dos Capuchos, “proporciona um vislumbre do universo paradoxal que deu origem à lenda chamada Brendel – desvendando fontes de sua inspiração, educação e arte, e o que formou a sua mundividência”, segundo o texto de apresentação do encontro.

Esta conferência inicia o ciclo de homenagem ao pianista, promovido pelo festival, que integra igualmente o recital “Brendel: Poesia e Música”, no domingo, e dois outros concertos, de evocação de Franz Schubert, um dos compositores de eleição no repertório de Alfred Brendel.

De nacionalidade austríaca, cidadão de Londres há cerca de 50 anos, Alfred Brendel nasceu a 05 de janeiro de 1931, em Wiesenberg, na atual República Checa. O pianista é considerado um dos nomes de referência da música erudita do século XX, nomeadamente na interpretação de obras de Mozart, Schubert e Beethoven.

Além do recital de poesia, no domingo, hoje, às 21h00, é também apresentado o programa “Schubertíada I”, com a violinista Viviane Hagner, Adrian Brendel e Filipe Pinto-Ribeiro, sobre obras de Franz Schubert.

“Schubertíadas”, explica uma nota do festival, “era o nome dado já na altura às reuniões domésticas que tinham no centro a figura e a música de Schubert. Era, em suma, um círculo de amigos do compositor, de proveniência e estatuto social vário, incluindo músicos, homens envolvidos profissional ou diletantemente com as letras, ou simples amantes da arte e admiradores do jovem compositor. E foi entre os próprios que se cunhou esses serões de Schubertíadas”.

A homenagem a Brendel encerra com “Schubertíada II”, pelo mesmo trio de músicos, a interpretar a Sonata “Arpeggione” e o Trio N.º 2, para piano, ambos do compositor austríaco do início do século XIX.

O Festival de Música dos Capuchos, em Almada, com direção artística do pianista Filipe Pinto-Ribeiro, foi retomado este ano, após 20 anos de interrupção, tendo começado na sexta-feira.

O “novo” festival tem como conceito “Cinco Séculos de História e Cinco Séculos de Música”, refletindo os 500 anos de história do Convento dos Capuchos, mandado erigir em 1558 por Lourenço Pires de Távora.

“A ideia é abordar a história da música, desde a construção do Convento, em meados do século XVI até aos nossos dias. Cinco extraordinários séculos de criação e interpretação musicais, desde o Renascimento até à música contemporânea”, disse à agência Lusa o pianista Filipe Pinto-Ribeiro.

O Festival termina no dia 3 de julho com a Orquestra de Câmara de São Petersburgo sob a direção do maestro Juri Gilbo, com Filipe Pinto-Ribeiro e o trompetista Sergei Nakariakov, como solistas, num programa constituído pela Serenata, de Tchaikovsky, e o Concerto n.º 1, para piano, trompete e orquestra, de Dmitri Schostakovich.