Privados tentam construir na Aroeira, depois de gorada a hipótese Cruz de Pau. Hospital público no Seixal passa de 70 para 60 milhões de euros e de 23 para 13 valências.
A Comissão de Utentes da Saúde do Concelho do Seixal teme que o início da construção do hospital há muitos anos reclamado para aquela cidade, apesar de já estar contemplado no Orça- mento de Estado, possa vir a atrasar-se durante mais alguns anos. Tudo porque os investidores privados pretendem instalar uma unidade de grandes dimensões no concelho.
Um desses investidores é a CUF, que recentemente viu recusada a proposta de construir numa mata classificada mas que, em alternativa, já está a desenvolver esforços para poder vir a edificar na Verdizela ou na Aroeira, áreas habitacionais de luxo próximas da arriba fóssil.
“Havendo investimento privado, neste caso na área da saúde, é de esperar que o Estado protele as obras que são da sua responsabilidade”, sintetizou ao Semmais o coordenador da Comissão de Utentes da Saúde do Concelho do Seixal, José Lourenço.
O mesmo responsável lembrou que para o próximo Orça- mento de Estado estão incluídos 60 milhões de euros destinados à construção do futuro hospital (inicialmente eram 70 milhões): “Trata-se de uma obra fundamental, mesmo que o projeto atual tenha sido alterado face ao que estava previsto. Agora, em vez das 23 valências anteriormente estimadas, passou-se para 13 e o internamento será de 60 camas mas apenas para ambulatório, para casos não superiores a 24 horas”.
Comissão quer que unidade seja retaguarda do HGO
José Lourenço, que recordou “três reuniões com uma duração de mais de oito horas” entre a co- missão que coordenada e a ministra da Saúde, entende que a futura unidade hospitalar do Seixal poderá, mesmo com a diminuição das valências, ajudar a melhorar o desempenho do Garcia de Orta (HGO), em Almada, cujos serviços estão permanente em falência.
“Só com o Seixal como retaguarda é que poderá melhorar o serviço no Garcia de Orta. Mas essa é uma constatação que poderá estar comprometida, uma vez que com a chegada de serviços de saúde privados ao concelho e à região, mais difíceis serão os investimentos do Estado no Serviço Nacional de Saúde”, disse.
O mesmo responsável referiu depois que, recentemente, a câmara do Seixal não autorizou a CUF a construir num espaço onde existe uma mata classificada, entre Corroios e a Cruz de Pau. Esse impedimento, salientou, “de nada servirá se não se valorizar o trabalho do Serviço Nacional de Saúde, dotando os estabelecimentos públicos com as condições exigíveis”.
Lembrou, por outro lado, que de nada valerá aumentar as competências funcionais do Garcia de Orta, para onde está previsto, nos próximos cinco ou seis anos, um investimento de 58 milhões de euros (aumento da urgência em mais de duas vezes e meia do espaço atual) se não existir um hospital de retaguarda, como se prevê que seja o do Seixal, que possa ajudar a prestar os cuidados primários de saúde.
“Muitas doenças deixaram de ter, após a declaração da pandemia de Covid-19, o acompanhamento necessário. Em Corroios, por exemplo, realizavam-se sete ou oito serviços fúnebres por semana. Agora são o dobro. Morrem o dobro das pessoas”, disse.
Por fim, José Lourenço lembrou ainda que o futuro hospital do Seixal deverá servir não só este concelho e o de Almada, que têm uma população estimada entre 350 e 370 mil pessoas, mas que se prevê igualmente estar ao dispor dos 20 a 30 mil residentes do concelho de Sesimbra. “O Seixal é bem mais próximo do que Setúbal”, referiu






