Inverno e quadra agravam desafios nas urgências do Hospital Barreiro-Montijo

Esforços no Serviço de Urgências redobram-se com aumento da incidência da doença respiratória aguda. Juntando-se fatores como os excessos do consumo de álcool e alimentares e a solidão.

O inverno e a chegada das quadras festivas agravam os desafios de quem trabalha no setor da saúde. O Centro Hospitalar Barreiro-Montijo(CHBM) não é exceção e procura, com organização e resiliência, preparar-se para os problemas que possam surgir. “Já temos desenhado um perfil de admissões no Serviço de Urgências de carácter sazonal, em especial devido ao aumento da incidência da doença respiratória aguda, porque é isso que se tem vindo a constatar”, explica ao Semmais Vasco Firmino, diretor do Serviço de Urgências.

“Nos dias festivos, fruto de um eventual excesso no consumo de álcool e de bens alimentares, temos também um acréscimo de situações do foro cardiovascular ou gastrointestinal”, sublinha o médico.

Por esta altura, verifica-se ainda que as urgência são muito procuradas por idosos e pessoas em situações de fragilidade, nem sempre com problemas de saúde associados: “Cada vez mais nota-se que, face aos problemas sociais, o hospital acaba por ser a única solução que estas pessoas encontram. Não é ali que os problemas deviam ser resolvidos, mas temos cada vez mais utentes em serviço de urgência por problemas de cariz social, como a solidão, questões socioeconómicas ou problemas familiares, entre outros motivos”.

Este aumento da procura pelas urgências não é apenas sentido pelos clínicos, mas também por outros trabalhadores do CHBM, que muitas das vezes são o primeiro contacto no hospital. “O nosso trabalho é importante para dar respostas ao que nos chega. Fazemos a triagem das chamadas e reencaminhamos para os serviços respetivos, mas nem sempre é fácil ou possível e acabamos por ser nós a dar o parecer”, revela ao nosso jornal Luís Rosado, que trabalha na central telefónica do CHBM desde 1998.

Além disso, explica o funcionário, os serviços têm de estar preparados para todas as eventualidades. “Às vezes, quando temos situações muito urgentes, pedem-nos também para localizar os médicos ou colocá-los nos sítios que é necessário”, acrescenta.

Trabalhar na quadra, além da exigência profissional, acaba também por ter reflexos a nível pessoal. “Infelizmente temos de lidar com coisas que nos entristecem bastante. Acabamos sempre por tentar dar uma palavra de conforto a quem nos chega e procurar evitar que isso nos afete pessoalmente e que não levemos os nossos problemas para casa, pois não queremos estragar a quadra aos nossos familiares. Mas não nos deixa de marcar. Acabamos sempre por nos colocar no lugar dos outros”, sublinha Luís Rosado, que já trabalhou várias vezes durante o Natal.

Já o médico Vasco Firmino vai este ano trabalhar pela primeira vez na quadra. “Não será fácil. Tenho duas filhas. Mas também valoriza a nossa missão e profissão, refere.