Campo de Tiro de Alcochete voltou a ser a opção unanimemente defendida para a localização da nova estrutura aeroportuária, face aos dados apresentados pela Comissão Técnica Independente e ao impacto presumível para o país e a região.
A urgência para a viabilização de uma solução para a construção do novo Aeroporto de Lisboa, nomeadamente através do Campo de Tiro de Alcochete, e a necessidade da celeridade na tomada de decisões política nesta matéria marcaram o encontro provido pela Associação de Municípios da Região de Setúbal, realizado ontem em Palmela, no Cine-Teatro São João.
Presente esteve a Comissão Técnica Independente (CTI), coordenada por Maria do Rosário Partidário, que teve mais uma vez a oportunidade de apresentar e defender publicamente a conclusões da sua avaliação das opções aeroportuárias para a Região de Lisboa, estudo que se encontra em consulta pública até 26 de janeiro. “O investimento no novo aeroporto é uma âncora fundamental do ponto de vista do desenvolvimento do país”, destacou a engenheira, professora catedrática no Instituto Superior Técnico.
Para a comissão não existem, neste momento, dúvidas sobre qual a melhor conclusão para os interessentes estratégicos do país. “O modelo dual é o que melhor serve os interesses nacionais. Permite que a Portela se mantenha e abre uma nova pista num aeroporto complementar”, referiu Maria do Rosário Partidário.
A coordenadora da CTI voltou, ainda, a sublinhar o retorno financeiro que um investimento desta magnitude representa. “Uma das conclusões financeiras que conseguimos, independentemente da solução a ser tomada, é que um aeroporto paga-se a si próprio. Mesmo que numa fase inicial exista um investimento do Estado, mas, no cômputo geral, o Aeroporto vai gerar receita suficiente para compensar a prazo esses investimentos que são feitos”, sublinhou a responsável.
Antes da apresentação, em conversa com os jornalistas, Maria do Rosário Partidário, referiu que aguardavam o fim do período de consulta pública, encontrando-se o os promotores do aeroporto em Santarém a alterar o projeto, não obstante de se manterem condicionantes não podem ser mudadas. “A questão da inviabilidade de Santarém, como está no relatório [da Comissão Técnica Independente], deve-se a uma restrição, que foi identificada pela NAV [empresa que assegura o controlo de tráfego aéreo em Portugal], de 24 movimentos por hora, devido à navegação aérea. E isso não é viável para um aeroporto internacional que seja alternativo à Portela. É viável para um aeroporto complementar à Portela, não é viável para um aeroporto internacional. Foi por isso que nós dissemos que não era viável”, disse.
Carlos Mineiro Alves, o presidente da Comissão de Acompanhamento dos Trabalhos da Comissão Técnica Independente, destacou, por sua vez, a importância do trabalho feito pela comissão. “Nunca vi, nem nunca tinha participado, num processo tão transparente e tão participado como foio este, apesar da sua complexidade”, referiu, enfatizando que agora importar dar seguimento a este trabalho. “É tempo de decidir. Não vale a pena adiarmos a decisão, ou até sugerir outras novas localizações, a opinião técnica está feita. Estão esgotadas todas as possibilidades de localização do novo aeroporto”, sublinhou.
A necessidade de uma decisão célere sobre a nova infraestrutura aeroportuária foi também realçada por Álvaro Amaro, em especial tendo em vista o impacto na região. “É imprescindível tomar uma decisão que corresponde ao interesse nacional”, neste caso viabilizando uma solução, através do CT de Alcochete, que “está em sintonia com aquilo que vem sendo preconizado para o desenvolvimento da região”, destacou o presidente da câmara de Palmela.
O vice-presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) e ex-presidente da câmara do Seixal, Alfredo Monteiro, elogiou o trabalho efetuado pela CTI e considerou que a opção do Montijo era uma má solução para a região e para o país que, além do mais, iria afetar a qualidade de vida de muitas dezenas de milhares de pessoas que residem em diversos concelhos da Península de Setúbal. “A Base Aérea do Montijo seria algo impensável porque não é uma solução de futuro. E é impensável porque não resolvia nenhuma das necessidades de desenvolvimento e do novo aeroporto que é preciso. É impensável porque nós não podemos permitir – e estiveram muito bem os autarcas, a população e os movimentos cívicos contra esta opção -, porque, além do mais, o custo de fazer uma nova base aérea para substituir aquela – e isso não nos foi dito -, é um custo quase tão elevado como o custo de construir as pistas [no Montijo]”, disse.
Em cima da mesa, no caso da viabilização do Campo de Tiro de Alcochete, estiveram ainda em discussão outros temas caros à região de Setúbal, como a 3ª Travessia do Tejo, com a ligação Barreiro-Chelas (Lisboa), que pode representar uma oportunidade de implementar a linha ferroviária de alta velocidade seja Porto-Lisboa, seja Lisboa-Madrid.
Neste encontro destacam-se ainda as presenças de outros autarcas da península, como Francisco Jesus, presidente da câmara de Sesimbra, Paulo Silva, presidente da câmara do Seixal e Rita Carvalho, vereadora da câmara de Setúbal. Referência ainda para outras figuras presentes como Bruno Dias, deputado do PCP eleito por Setúbal e Joaquim Santos, antigo presidente da câmara do Seixal.






