Chove dentro do edifício da esquadra da polícia do Pragal

Polícias apontam para o bolor nas paredes e dizem que a sua saúde corre riscos. Em janeiro foram transferidos quase 30 polícias do Laranjeiro. Ainda ninguém sabe qual o destino desta esquadra. De momento só já recebe participações.

Quase três dezenas de efetivos da esquadra da PSP do Laranjeiro foram transferidos, no final de Janeiro, para a do Pragal, que também funciona como sede da Divisão do concelho de Almada. A medida, contestada internamente, ganhou piores contornos quando foi revelado que o edifício para onde foram transferidos não tem, em determinadas áreas, condições de habitabilidade devido às inúmeras infiltrações de água e surgimento de fungos nas paredes.

“Existe uma clara possibilidade de os polícias que fazem serviço no Pragal contraírem doenças respiratórias, infeções diversas. No terceiro piso, nas salas que servem de vestiários e também nas casas de banho, as infiltrações são visíveis em todas as paredes. As janelas não vedam o vento nem a água. Trata-se de uma situação que não é nova, mas que se agravou nos últimos tempos devido às condições climatéricas mas, também, ao aumento do número de pessoas que passaram a frequentar o local”, explicou ao Semmais o presidente do Sindicato dos Profissionais da Polícia (SPP), Paulo Macedo.

O sindicalista adiantou ainda que este problema que agora foi divulgado “há muito que é conhecido no Ministério da Administração Interna (MAI)”: “Relativamente a esta situação, o ministério nada diz. Os responsáveis apenas dão a entender que conhecem esta e outras realidades igualmente graves mas, de facto, o que concluímos é que estão totalmente desfasados da realidade. Falam de obras, de novas instalações mas a verdade é que não acontece nada. Também não temos qualquer informação prestada pelo Comando Distrital de Setúbal”.

Paulo Macedo refere, por outro lado, que a retirada de quase 30 efetivos do Laranjeiro acabou por ser uma surpresa geral. “Diziam que não ia acontecer, que a esquadra não iria fechar. De facto, a esquadra ainda não fechou. Ainda lá permanece algum pessoal, que se limita a receber participações. Neste momento, para acorrerem a qualquer solicitação de rua ocorrida no Laranjeiro, os polícias partem do Pragal, utilizando os carros que estão afetos a esta esquadra. Já perguntámos se a do Laranjeiro vai encerrar, mas não obtivemos qualquer resposta. Transferiram o pessoal para a o comando da Divisão, mas para além de não se terem preocupado com as questões de salubridade do edifício, nem sequer criaram estacionamento suficiente para todos os que ali se dirigem diariamente”, disse.

O presidente do SPP considera também que a operacionalidade policial perante situações de criminalidade com que se depara a população pode estar comprometida uma vez que aumenta o tempo de deslocação das viaturas e cria-se em algumas zonas o sentimento de impunidade devido à ausência de polícias.

O nosso jornal contactou também uma fonte da Direção Nacional da PSP, a qual disse que “a polícia, tal como a maior parte das instituições do país, passa por grandes dificuldades económicas”. “As más condições do Pragal são conhecidas e certamente que serão corrigidas. Só não sabemos quando. Quanto ao futuro da esquadra do Laranjeiro desconheço qual possa ser”.