Em causa está o hipotético aumento de 20 por cento no valor das taxas.
As recentes ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, que promete aumentar para 200 por cento o valor das taxas sobre os vinhos provenientes da União Europeia (UE) não assustam nem preocupam os produtores da península de Setúbal. É que, para além de nem sequer levarem a sério a propalada retaliação, os valores das exportações para aquele país são quase residuais. Isso não os impede, contudo, de procurarem expandir as suas vendas para outros países da América do Norte.
O Semmais procurou junto de algumas entidades regionais saber quais as consequências que poderão advir no caso de Trump consumar as ameaças. O presidente da Comissão Vitivinícola da Região (CVR) de Setúbal, Henrique Soares, entende que esta não é a ocasião para se falar de um assunto que a própria UE não está a levar a sério e acrescenta, por isso, que também o organismo a que preside não se deve manifestar.
O nosso jornal procurou ainda obter depoimentos junto de representantes de três das principais adegas da península. Nestes casos, tal como já antes fora referido pelo presidente da CVR Setúbal, também não foram revelados quaisquer sinais de alarmismo. “A Cooperativa Agrícola de Palmela não exporta para os Estados Unidos e, mesmo para o Canadá, as vendas representam apenas um por cento do total do que é vendido anualmente para estrangeiro. O ano passado foram 2.000 garrafas”, explicou a porta-voz Susana Madeiras”. A mesma responsável entende que a haver qualquer tipo de desvantagem económica para os produtores nacionais, essa deve incidir sobretudo sobre os vendedores de vinhos específicos, como o Porto e o Madeira.
“Residual” foi como o responsável pela Adega Cooperativa de Pegões, Jaime Quendera, considerou a eventual redução das exportações para os EUA. O valor anual das vendas para aquele país é de “menos de 100.000 euros, correspondentes a uma quantidade anual que oscila entre os 30.000 e os 50.000 litros de vinho. “Nós exportamos para mais de 40 países e o mercado americano é pequeno para Pegões”, adiantou o enólogo e dirigente que, instado a indicar que mercados alternativos podem vir a ser tentados caso se tornem impossíveis os negócios com os EUA, referiu o Canadá e o México como os mais viáveis.
Os mesmos países (Canadá e México) foram igualmente referidos pelos responsáveis da Casa Ermelinda Freitas como mercados a abordar no futuro. Para a produtora de Fernando Pó, apesar de as vendas para os EUA se encontrarem no “top dez”, uma eventual perda de negócios tem um peso “relativamente pequeno”. Aquela produtora vende anualmente cerca de 250.000 litros de vinho para os Estados Unidos, obtendo cerca de 600.000 euros.






