Recolha de biorresíduos já obrigou municípios a investir cerca de 15 milhões de euros

Destaque para o Seixal que arrancou implementação em 2019, através do projeto “Recolher Porta a Porta para Valorizar”, que desde essa altura já encaminhou mais de 11 mil toneladas destes resíduos.

Para assegurar a recolha diferenciada dos biorresíduos, obrigatória desde 1 de janeiro de 2024, através de uma diretiva da União Europeia aprovada em 2018, os municípios do distrito já investiram cerca de 15 milhões. Para além dos valores gastos na preparação e implementação da estratégia para separação destes resíduos, a maioria do investimento foi aplicado na aquisição de veículos e contentores próprios.

No levantamento feito pelo Semmais junto de todos os concelhos do distrito, conclui-se que o município que, até agora, mais dinheiro despendeu para a operação, foi o Seixal com 6.5 milhões, seguido de Setúbal com 2.034.711 euros e Almada com 1.812.001 euros. No restante território surgem Montijo, com 1.157.203; Moita com 1.000.000; Barreiro com 907.719; Palmela com 579.000; Alcochete com 196.000; Santiago do Cacém com 122.000; Grândola com 120.000 e Sines com 77.870. Alcácer do Sal e Sesimbra não forneceram dados. Grande parte deste investimento foi, no entanto, assegurado através do Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR), complementado, em muitos dos casos, pelo Fundo Ambiental, lançado pelo Ministério do Ambiente.

Recolha porta-a-porta, na hotelaria e restauração

A estratégia, que já permitiu recolher milhares de toneladas destes resíduos, é semelhante entre os concelhos, com a maioria a apostar na recolha porta-a-porta, através da entrega gratuita de caixotes ou a colocação de contentores próprios na via pública. Dedicam também um serviço à hotelaria e restauração, com recolhas frequentes.

Nas estratégias implementadas no distrito destaca-se o Seixal, que foi o primeiro concwelho a promover esta recolha, através do projeto “Recolher Porta a Porta para Valorizar”, que desde 2019 já encaminhou para a Central de Valorização Orgânica da AMARSUL, cerca de 11.166 toneladas de biorresíduos. “Atualmente, o projeto abrange perto de 21.300 famílias, 13.200 das quais já aderiram voluntariamente à recolha, o que equivale a uma adesão de 62 por cento.”, explica a autarquia ao nosso jornal.

Setúbal só em 2024 recolheu 4636

Almada também se preparou antecipadamente, com o lançamento em 2021 do projeto “Almada, vamos compostar”, destinado à compostagem doméstica. E, em 2024, foram instaladas cinco ilhas comunitárias. “Ao todo, estão em funcionamento 435 compostores domésticos e foram instaladas 10 ilhas de compostagem comunitária em Almada. Atualmente, conta com a participação de 435 famílias e contribui para a reciclagem na origem de, aproximadamente, 107 toneladas/ano de biorresíduos. A compostagem comunitária é praticada por 200 agregados familiares e contribui para a reciclagem na origem de, aproximadamente, 49 toneladas/ano”.

Referência também para Setúbal que, só no ano passado, conseguiu recolher 4636 toneladas. Dos dados disponíveis, destaque ainda para a Moita, com 1586 toneladas; Palmela com 1351 toneladas e Barreiro com 1315 toneladas.

Sines, entre os concelhos que forneceram dados ao nosso jornal, foi o único que ainda não conseguiu avançar, em pleno, com a operação. “O município tem delineado um plano de ação para fazer face à nova obrigação, contudo considerando os atrasos verificados devido a diversas questões técnicas ainda só se faz recolha de verdes mediante solicitação dos munícipes. Prevê-se o início da recolha de biorresíduos alimentares entre março e maio”, justifica a autarquia.