A partir de um texto de Carlo Cipolla, publicado em 1973, a criação de João de Brito procura envolver o público num ambiente mais corriqueiro e mundano, para uma reflexão técnica e filosófica sobre a sociedade e o mundo.
O Fórum Cultural José Manuel Figueiredo, na Baixa da Banheira, concelho da Moita, assinala o Dia Mundial do Teatro com “As Leis Fundamentais da Estupidez Humana”, um texto de Carlo Cipolla interpretado pela companhia Lama Teatro, que vai estar em cena este sábado, a partir das 21h00.
O espetáculo, estreado em 2023 pela estrutura artística sediada em Faro, surgiu da leitura do ator João de Brito, também encenador e dramaturgo, do ensaio publicado, com o mesmo nome, em 1973 pelo autor italiano. “Tudo surgiu quando me ofereceram este livro. Não conhecia o Cipolla, li o texto e pensei que, mais cedo ou mais tarde, seria interessante levá-lo à cena. Identifiquei-me com o que li, achei-o transversal aos tempos atuais e muito pertinente. É muito técnico, uma tese ou ensaio, como quisermos chamar-lhe, filosófico e matemático e só por si seria uma abordagem muito conferencista. Quando decidi levar à cena levou uma nova roupagem, aproveitei algumas coisas e pensei que seria interessante, enquanto ator, ter um músico ao vivo e um desenhador digital em cena”, explica ao Semmais o dramaturgo.
É desta forma que João de Brito, acompanhado pelo músico Noiserv e pela artista Raquel Fradique, procura transportar o público para uma realidade mais familiar. “Era importante criar oscilações entre o discurso mais filosófico e técnico e um mais mundano. Recriamos um talho, um espaço que as pessoas frequentam no dia-a-dia e onde têm conversas triviais. A ideia é um pouco essa, dissertar sobre o mundo, enquanto interagimos com o público”, destaca o encenador.
No pensamento de Carlo Cipolla, de acordo com João de Brito, coexistem quatro tipos de pessoas na sociedade: “Procura enquadrar as pessoas em categorias como os tansos, os inteligentes, os bandidos e os estúpidos. Parte do espetáculo explica essas características. Um tanso é quem faz uma ação, sofre uma perda e proporciona um ganho a uma outra pessoa; o inteligente é aquele que faz uma ação e ganha e outra pessoa também ganha; o bandido faz uma ação onde só ele ganha; o estúpido tanto perde ele como o outro”.






