Chega interrompe domínio rosa e conquista distrito com seis deputados

Partido de André Ventura foi o mais votado em sete dos 13 municípios do distrito. Saúde, habitação e segurança são as principais bandeiras dos deputados eleitos por este círculo.

Depois de vitórias consecutivas do Partido Socialista no Círculo Eleitoral de Setúbal desde 1995, o Chega interrompeu o domínio rosa e conseguiu atingir os objetivos que se tinha proposto no lançamento destas legislativas que, além da eleição de mais deputados, passava por conquistar este território.

“Foi uma grande noite para o Chega e fundamentalmente para os setubalenses. Quando dizíamos que o nosso objetivo era vencer o distrito, não o dizíamos por acaso. Andamos na rua todos os dias, pouco mais de dois meses, em pré campanha e em campanha de uma ponta à outra do distrito. O sentimento que víamos nas pessoas era de mudança. Não foi uma surpresa estes resultados, sempre acreditei. Apesar de não termos vencido com uma margem muito folgada, conseguimos anular os 11 pontos de diferença que o PS tinha obtido no ano passado. Sentia na rua que essa mudança era possível e que ia acontecer”, diz ao nosso jornal Nuno Gabriel, presidente da distrital e deputado reeleito.

Com 26,38 por cento da votação, representada por 129.569 eleitores, o Chega conseguiu, além de eleger seis deputados, mais dois que em 2024, conquistar sete dos 13 concelhos do distrito, muitos deles bastiões comunistas, como o Seixal e Palmela ou de alternância com o PS como Sesimbra, Setúbal, Montijo, Moita e Sines. Sobre estes triunfos, o representante do Chega justifica com o “desencanto” dos eleitores com as gestões municipais de comunistas e socialistas: “As câmaras são o primeiro órgão de proximidade às pessoas e servem para ajudar os munícipes no seu dia a dia. Deve haver um contacto de proximidade e, isso, falhou. Neste momento, temos as câmaras num pedestal longe das suas populações e só se aproximam em altura de eleições. Isso não pode ser, afirma.

Partido destaca credibilidade junto do eleitorado

Além do “desencanto”, o dirigente distrital reitera que há “umacredibilização” do partido junto dos eleitores e isso também justifica a crescente mobilização de votos: “Temos pessoas competentes, formadas e com capacidade que não têm medo de trabalhar e procurar soluções para os problemas. Isto é reconhecido pelas pessoas”.

Nuno Gabriel promete, nesse sentido, um combate ativo pelo distrito no Parlamento, personificado no Chega por ele, Rita Matias, Patrícia Carvalho, Daniel Teixeira, Cláudia Estêvão e Ricardo Reis, em pastas como a saúde, a habitação e a segurança. “O hospital do Seixal, dê por onde der, tem de avançar, porque o Garcia de Orta não consegue dar resposta. Tem de ser concretizado também o novo Centro de Saúde no Feijó, que também não anda, para não falar noutros centros que já não têm condições e precisam de ser requalificados. Na habitação temos uma proposta que é o diferimento tácito para o licenciamento de construção feito às câmaras. Se estas não responderem dentro de um determinado tempo, o licenciamento passa a ser atribuído. Em matéria de segurança, precisamos de dotar as nossas forças de melhores infraestruturas e equipamentos, assim como atrair mais pessoas, criar carreiras atrativas e termos mais policiamento”, enúmera o dirigente.