Socialistas de Setúbal vão ser consultados pela Federação Distrital. A desilusão pelos resultados das legislativas também se explica pela deficiente comunicação com o eleitorado.
Na ressaca daquela que terá sido a maior derrota eleitoral no distrito de Setúbal, os socialistas tentam organizar-se para, a breve trecho, identifi carem quais as razões para deixarenm de ser a força política dominante. Reunir, refletir e compreender parecem ser algumas das palavras de ordem pensadas. Os encontros com os responsáveis das concelhias e, sobretudo com os militantes, são o objetivo do presidente da Federação, que aponta já à vitória nas autárquicas.
“Temos grandes expetativas para as autárquicas. Agora o que é preciso é trabalhar, porque acreditamos que as pessoas sabem distinguir as situações”, disse ao Semmais o presidente da Federação Distrital de Setúbal do PS, André Pinotes Batista.
Sobre as razões que levaram ao descalabro no distrito (que mesmo assim foi o terceiro com melhores resultados num total de 20 círculos eleitorais no país), Pinotes Batista entende que “houve um desfasamento do PS com a forma de falar e o sentimento das pessoas”. “É evidente que não existiu a sintonia desejada entre a comunicação do partido e as respostas dos eleitores. É para identifi car e alterar o que correu mal que iremos iniciar em breve os contactos com todas as concelhias do distrito e com os militantes. Todos se devem expressar, porque há sempre razões. Não vale a pena ninguém esconder a cabeça na areia. O facto de o PS ter obtido no distrito a sua terceira melhor votação não serve de consolo. O resultado final continua a ser horroroso”, disse.
O dirigente socialista desvalorizou, por outro lado, os festejos efusivos de alguns responsáveis da AD no distrito. “Creio que não estão a perceber a realidade, que estão a ver mal o filme: É que mesmo com a descida da abstenção, a AD não conseguiu uma votação que lhe permitisse subir como desejavam. O que persiste é a instabilidade”.
“Uma derrota pesada” e “um mau resultado do PS” foram a síntese que o cabeça de lista do partido, António Mendonça Mendes, fez ao nosso jornal para ilustrar o sentimento geral. “Na verdade, de momento não há muito a dizer. Estes resultados requerem uma reflexão profunda, a qual deverá ser realizada nos próximos dias”, acrescentou, mostrando um alinhamento de ideias com o presidente da Federação.
Instado a pronunciar-se sobre o crescimento do Chega, partido que em 2024 já havia surpreendido ao ser o segundo mais votado e que desta feita acabou por ser o grande vencedor no distrito, António Mendonça Mendes insistiu na ideia de que “é necessário entender as razões e motivações do eleitorado”.






