A candidata independente à Câmara de Setúbal Maria das Dores Meira, ex-presidente do município sadino eleita pela CDU, congratulou-se terça-feira com o apoio declarado do PSD à sua candidatura sem comentar o desagrado da estrutura local do partido.
“Vejo este apoio com muita satisfação, porque isso significa o reconhecimento do meu trabalho, ou do nosso trabalho, do trabalho de mais de 700 pessoas que integram este grupo”, disse Maria das Dores Meira à agência Lusa.
“Este apoio significa que há confiança neste grupo. E isso dá-nos uma grande satisfação. No entanto, quero lembrar que se trata de uma candidatura independente e que não vamos seguir a orientações de nenhum partido, seja do PSD, seja de quem for”, frisou.
Maria das Dores Meira falava à Lusa pouco depois de ter sido oficialmente anunciado o apoio do PSD à candidatura independente que lidera, “Movimento Dores Meira — Setúbal de Volta”, bem como à candidatura de Isaltino Morais em Oeiras e à recandidatura de Luís Filipe Menezes em Gaia.
O apoio da Comissão Política Nacional do PSD a Maria das Dores Meira, antiga militante do PCP, que foi presidente da câmara de Setúbal entre 2009 e 2021 eleita pela CDU, já era dado como certo há algum tempo, não obstante a oposição da estrutura local do partido em Setúbal.
Em junho, a concelhia do PSD de Setúbal emitiu uma nota em que divulgou que não iria apoiar nem integrar as listas da candidatura independente de Maria das Dores Meira para a Câmara Municipal.
Concelhia mantém críticas ao apoio a Dores Meira
À agência Lusa, o presidente da Comissão Concelhia do PSD de Setúbal afirmou que não há razões para alterar a posição aprovada por unanimidade pelos militantes, de não apoiar a candidatura independente de Dores Meira à autarquia sadina.
“Não há razão nenhuma para alterarmos a posição, aprovada por unanimidade pelos militantes no dia 4 de abril, de não apoiarmos nem integrarmos as listas da candidatura independente de Maria das Dores Meira”, disse à Paulo Calado, lembrando que os sociais-democratas de Setúbal defendem “uma candidatura própria e autónoma aos órgãos autárquicos”.
Paulo Calado escusou-se a fazer mais comentários, remetendo para a tomada de posição dos militantes de Setúbal e para uma nota da concelhia divulgada no passado mês de junho, que considera o apoio do PSD a Dores Meira “politicamente inaceitável e profundamente desrespeitoso para com os órgãos locais do partido” e uma “flagrante violação dos estatutos nacionais do PSD”.
Confrontada com o descontentamento da concelhia do PSD de Setúbal face ao apoio declarado da comissão política nacional ao movimento independente Setúbal de Volta, Maria das Dores Meira afirmou-se convicta de que essas divergências não irão prejudicar a sua candidatura.
“Eu penso que a minha candidatura não será prejudicada, mas não quero pronunciar-me, porque foi um assunto interno entre a Comissão Nacional e a Concelhia de Setúbal. Não quero estar a fazer considerações sobre o que o PSD devia, ou não devia, ter feito. Entendo que é um assunto que tem de ser tratado entre eles”.
“A única coisa que quero dizer é que recebi o apoio do PSD com muita satisfação”, reiterou Maria das Dores Meira.






