A CDU acusa o PS de se aliar ao Chega e de recusar “participar numa solução pelo futuro de Sesimbra”. Os socialistas rejeitam as críticas e afirmam que “não podem passar um cheque em branco à CDU.
O equilíbrio de forças na Câmara Municipal de Sesimbra, resultante das últimas eleições autárquicas, apesar da vitória da CDU, deixou a coligação com o mesmo número de vereadores — dois — que o PS e o Chega, antecipando uma “governação com pinças” por parte de Francisco Jesus. As previsões confirmaram-se cedo: logo após a primeira reunião de câmara surgiram as primeiras fricções entre as forças políticas, com trocas de acusações entre a CDU e o PS.
Em comunicado divulgado ontem, a CDU acusou os socialistas de se recusarem a “participar numa solução pelo futuro de Sesimbra”, revelando que apresentou uma proposta de entendimento com o PS, que passava por “soluções realistas, equilibradas e de grande responsabilidade no âmbito da assunção de compromissos com a gestão municipal”.
“O PS, estranhamente, recusou assumir essa responsabilidade que prometeu aos sesimbrenses e optou por ser uma força de bloqueio, travando possíveis entendimentos e sacrificando o interesse do concelho à sua conveniência e tacticismo político”, lê-se no documento da coligação.
Os socialistas, representados pelos vereadores Sérgio Faias e Bertina Duarte, reagiram afirmando que os resultados eleitorais “devem traduzir-se numa gestão mais partilhada, responsável e transparente”.
No mesmo comunicado, o PS confirma que houve negociações com a CDU e que da sua parte foi apresentada “uma proposta realista e ambiciosa”, assente em pilares como “a estabilidade dos órgãos, o respeito pela representatividade democrática e a concretização de medidas estruturantes para o concelho”. Segundo os socialistas, a CDU “mostrou-se inflexível e demonstrou resistência em reconhecer a nova realidade política”.
Sobre a polémica, Nuno Gabriel, presidente da distrital do Chega e um dos vereadores eleitos pelo partido, desvalorizou o conflito. “Li os comunicados e, honestamente, isso não nos interessa. As comadres zangam-se e nós estamos cá para trabalhar”, referiu nas redes sociais.
Atribuição de competências ao presidente aquece debate
Outro ponto de tensão na Câmara de Sesimbra foi a proposta de atribuição de competências ao presidente da autarquia, o reeleito Francisco Jesus, que foi chumbada pelo PS e pelo Chega, mantendo-se algumas dessas competências na esfera municipal.
A CDU reagiu acusando o PS de se “aliar” ao Chega, impedindo “uma gestão mais ágil e eficiente do município” e “dificultando a resposta pronta às necessidades da população e o funcionamento diário dos serviços municipais”, segundo comunicado da coligação.
Em resposta, os socialistas afirmam que “não podem passar um cheque em branco à CDU” e que não se podem “colocar de fora de quaisquer decisões relacionadas com a gestão do município”. No mesmo comunicado, o PS rejeita qualquer entendimento com o Chega, sublinhando que este partido “está nos antípodas de todos os princípios basilares do PS”.
Por seu lado, Nuno Gabriel rejeita a ideia de que o Chega tenha “votado ao lado do PS” e defende que o partido “não pode ficar inibido de votar contra só porque o PS já o fez”. “Habituem-se. Agora há uma oposição responsável, séria e fidedigna, que quer contribuir para o desenvolvimento do concelho”, concluiu o vereador.






