Presidente da UGT de Setúbal explica os motivos da greve geral e as futuras ações

Manuel Fernandes - UGT Setúbal

Passada a greve geral que, dia 11, movimentou os principais setores de atividade em no país e no distrito, a UGT, que convocou a paralisação, entende que é necessário que o setor empresarial “se modernize e deixe de ser uma força de atraso” e que o Governo deixe de “querer dar passos à retaguarda” e reverta a posição negocial de modo a salvaguardar os direitos dos trabalhadores.

Os sindicalistas dizem-se dispostos a continuar as negociações, mas não admitem que, numa futura troca de argumentos, os responsáveis pelo Ministério do Trabalho coloquem sobre a mesa “linhas vermelhas ou traves mestras” que revertam direitos adquiridos. “Não estamos disponíveis nem cederemos a chantagens”, avisam.

À conversa com o Semmais, dois dias antes da greve geral, o presidente da UGT setubalense, Manuel Fernandes, considerou que setores como o dos transportes e industrial deveriam aderir em massa à paralisação, não descurando que outros, como os serviços, agricultura e pescas, optassem igualmente por se manifestar em grande número. “Esperamos que seja dada uma resposta adequada ao Governo”, disse então.

“O tecido laboral do distrito alterou-se nas duas últimas décadas. A agricultura e as pescas já não são tão dominantes. No entanto houve direitos que foram sendo conquistados e que não podem ser revertidos. Não podemos voltar ao século XX e por isso contamos com o apoio dos trabalhadores por conta de outrem que são a maioria, por exemplo, nos transportes e em indústrias tão fortes e representativas como a Autoeuropa”, acrescentou.

A UGT, de acordo com a mesma fonte, não irá, ultrapassada a greve, fechar a porta das negociações. Manuel Fernandes alerta, no entanto, para o facto de os sindicatos não pretenderem viabilizar o ante-projeto laboral apresentado pela tutela e que “não foi alvo de qualquer discussão por parte da ministra até que o aviso de greve foi efetuado”.

“A verdade é que o documento é danoso e traz consequências muito graves. Representa um retrocesso à época medieval e mostra, também, que os responsáveis do Governo estão completamente fora do contexto atual do mundo laboral. A ministra demonstrou que é apenas uma teórica e, sendo uma académica, fartou-se de fazer asneiras relativamente ao ante-projeto”, acrescentou.

O sindicalista entende que nas negociações futuras “que terão de se realizar”, a ministra Maria do Rosário Ramalho terá de “reverter o caminho”: “Se persistirem na mesma ideia descontextualizada, então a UGT irá pedir responsabilidades a todas as forças políticas representadas no Parlamento e aí cada uma irá dizer claramente o que pretende e o que tenciona fazer para defender os direitos adquiridos de quem trabalha, sendo certo que os sindicatos não vão tolerar despedimentos injustificados, reduções salariais, e outros atropelos”.

Manuel Fernandes diz igualmente que não fazem sentido os comentários recentes do primeiro ministro a propósito dos motivos invocados para a greve. “O Governo deve dar um sinal de que sabe o que está a fazer e deixar de passar para a opinião pública comentários que revelam desconhecimento”.