“Volta ao mundo em 80 caixas” no Teatro-Estúdio António Assunção

@Jose¦ü Frade 20 02 26 2

Espetáculo inspirado no clássico de Júlio Verne, promove uma viagem por diversos universos, culturas e crenças, reivindicando a importância da imaginação e da brincadeira.

“Volta ao mundo em 80 caixas”, uma coprodução do Teatro Extremo com a estrutura espanhola Markeliñe, estreia este sábado no Teatro-Estúdio António Assunção, em Almada, onde permanece até 29 de março.

O espetáculo, um original da companhia basca, destina-se a toda a família e parte do clássico da literatura “A Volta ao Mundo em 80 Dias”, de Júlio Verne, publicado no século XIX. “Esta peça surgiu há muitos anos, quando começámos a trabalhar com cartão, com caixas de cartão. A partir daí, começámos a imaginar mundos possíveis que se podiam construir com estas caixas. Durante esse processo, pensámos que seria interessante fazer com que o público sonhasse com a essência da obra de Júlio Verne, numa viagem por diversos universos, elementos culturais e crenças”, conta ao Semmais o encenador Joserra Martínez.

A peça procura, segundo o dramaturgo, “alimentar o imaginário” e recuperar um pouco “a inocência das brincadeiras de infância”. “Isto acaba por ser um jogo e o público sabe que vai assistir a uma viagem — uma viagem ao jogo, à diversão e à transformação de objetos em tantas outras coisas. Uma ou várias caixas de cartão podem servir para múltiplos fins, estimulando a nossa imaginação”, sublinha.

Esta viagem acaba por contrastar com a realidade atual do público infantil que, segundo Joserra Martínez, “parece cada vez mais isolado” e dedica “muito do seu tempo e atenção às telas e tecnologias”. “Trata-se de uma viagem lúdica, onde se reivindica o espaço e o prazer de brincar. Uma caixa pode ser um robô, se assim o quisermos na nossa imaginação. Pode ser tudo aquilo que quisermos criar. É, acima de tudo, um espetáculo divertido, pensado para que as pessoas possam estar entretidas e desfrutar”, defende o encenador.

A coprodução com o Teatro Extremo surge, diz o dramaturgo, após diversas participações da Markeliñe no Festival Sementes, promovido anualmente pela estrutura sediada em Almada. “Já não contávamos recuperar este espetáculo, mas fomos desafiados pelo Teatro Extremo para esta coprodução. Estamos muito satisfeitos com esta relação e tem sido muito fácil trabalhar com eles. Fizemos algumas adaptações, uma vez que contamos com intérpretes do Teatro Extremo, mas tem corrido tudo muito bem. São atores com grande sabedoria cénica, uma energia em palco muito bem controlada e precisam de poucas indicações. São grandes intérpretes, muito bem trabalhados, com muito teatro nas mãos e na cabeça”, elogia Joserra Martínez.