O restaurante social é muleta para desempregados, doentes e muitos imigrantes. Desde que existe já serviu mais de 270 mil refeições. A crise ameaça fazer aumentar o número de pessoas a socorrer.
À Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, em Setúbal, acorrem diariamente 75 pessoas carenciadas em busca de alimentos. Do restaurante social que ali existe há quase nove anos “ninguém sai de mãos vazias”, conforme explica o padre Constantino Alves, o rosto mais visível de um grupo de pessoas que, para além de fornecerem comida, se preocupam em “atender bem e ser solidários”.
“Atualmente estamos a servir, em serviço de take away, cerca de 75 refeições por dia. Este número está a aumentar todos os dias”, explica Constantino Alves, revelando que o restaurante social, criado a 27 de junho de 2011, já então para poder auxiliar um setor da população mais fragilizado, já ofereceu desde essa data mais de 270 mil pratos de comida.
“Somos procurados por desempregados, antigos, mas também muitos recentes. Há também muitos casais novos, pessoas com doenças várias, inclusive doenças mentais. Recebemos igualmente muitos pedidos de imigrantes”, conta ao Semmais o responsável da paróquia, lembrando que todos os alimentos distribuídos são provenientes de doações, sejam elas da Igreja ou da sociedade civil.
Doações e voluntariado são o único apoio do restaurante social
“Em 2011, quando abrimos o restaurante social – não quisemos que se chamasse refeitório ou cantina, precisamente para afastarmos as designações que pudessem causar estigma – ficou estipulado que cada pessoa, de acordo com os rendimentos que possuísse, pagaria uma determinada percentagem sobre cada refeição. Já nessa altura, tal como hoje, depressa constatámos que não iríamos conseguir grande comparticipação. De facto, mais de 90 por cento das pessoas que nos procuram não possuem quaisquer rendimentos e as restantes acabam por descontar dez ou 20 cêntimos por refeição”, diz Constantino Alves.
Sem apoios das entidades locais, o restaurante social da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição tem, desde há dois anos, uma comparticipação de três quintos relativamente a cada refeição seguida. Essa ajuda é enaltecida pelo padre que, no entanto, não deixa de salientar o contributo prestado, ao longo dos anos, pelo conjunto de pessoas que, diariamente e de modo voluntário, não só se encarregam das refeições como do apoio moral e psicológico prestado a todos os necessitados. “Também é justo que se deixe uma palavra de enorme agradecimento a todas as entidades e pessoas individuais que nos fazem chegar os alimentos”, salienta.






