Apesar das regras excecionais em vigor por causa da pandemia, os nadadores-salvadores do distrito referem que a maioria dos banhistas as cumprem e colaboram. Até à data são poucas as ocorrências e não há vítimas a lamentar.
“O verão tem sido ótimo com temperaturas boas para a prática balnear” salienta Nuno Gomes, presidente da Seagull Rescue, Associação de Nadadores Salvadores de Grândola, “e curiosamente notamos um aumento da afluência de pessoas vindas do interior, talvez porque as piscinas se encontram fechadas”. Esta afluência de veraneantes nacionais, compensa um pouco a diminuição de turistas estrangeiros, mas também trás alguns problemas: “Em geral as pessoas são cumpridoras e super colaborantes, mas, como nota negativa, fica a opção por frequentarem praias não vigiadas. Andámos anos em campanhas de sensibilização para não o fazerem e agora, com a desculpa do distanciamento social, ou por medo, não sei, vão para qualquer lugar. E mesmo nas praias vigiadas afastam-se muito. Durante os fins-de-semana em que há mais gente, torna-se complicado, pois chegamos a ter quatro quilómetros de ocupação de praia, o que pode acarretar demoras em situações que carecem de apoio”.
Até à data, as intervenções realizadas pela equipa de nadadores-salvadores que coordena são as “típicas do dia-a-dia, geralmente fáceis, que passam por apoiar alguém que se assustou ou que caiu”, exceção feita a “uma ou outra pessoa que desconhece este mar e se mete em apuros”. Foi o caso de “um senhor que veio com os pais pela primeira vez à praia e que se afastou da zona de vigilância, vendo-se bastante atrapalhado e obrigando a uma intervenção de salvamento. Felizmente conseguimos socorre-lo a tempo e o caso saldou-se pela muita ingestão de água, o que obrigou ao seu internamento”.
Do sol da Caparica a Sesimbra os banhos continuam serenos
Miguel Inácio é vice-presidente da associação de nadadores salvadores responsável pelas praias da frente urbana da Costa de Caparica e também refere um verão calmo em termos de ocorrências, até porque, ao contrário do que acontece nos outros concelhos do distrito, “a afluência de utilizadores a estas praias reduziu-se significativamente, talvez por serem mais fechadas do que as outras”. Miguel, que também é concessionário, refere um “verão negro” para o negócio, mas que “tem corrido muito bem do ponto de vista da segurança e do respeito das normas por parte dos veraneantes. Para um responsável por uma zona balnear, a época está excelente”.
Porém, não obstante a falta de ocorrências que exijam intervenções de salvamento, Miguel Inácio aponta falhas no funcionamento da estrutura: “Para a capitania, para a Agência Portuguesa do Ambiente e para a câmara municipal, está tudo igual, mas a verdade é que há menos gente e os concessionários estão desesperados. Temos tido algumas dificuldades na cobrança dos nossos serviços”.
Enquanto nadador-salvador, mas sobretudo enquanto concessionário, Miguel não entende que a segurança das praias da frente urbana seja exclusivamente da responsabilidade dos concessionários, “de alguns, porque são 22 restaurantes e apenas cerca de metade paga pelos nadadores-salvadores”. Na sua opinião, “a vigilância marítima é uma obrigação do Estado e não dos empresários. Felizmente temos a registar zero casos, mas às vezes pergunto-me, como é possível que em 22 quilómetros de praia haja apenas dez homens? É uma constante sensação de incapacidade, ainda que este ano tenha sido adquirido mais um meio móvel para as praias da frente urbana”.
Um pouco mais a sul, noutra praia urbana, a praia do Ouro, em Sesimbra, Rafael Simões, que é nadador-salvador há cinco anos, regista igualmente um verão muito calmo: “A praia é normalmente tranquila e do nosso ponto de vista está tudo igual a outros anos”, mesmo que a afluência de visitantes só agora esteja a aumentar, o que se “notou sobretudo com esta vaga de calor”. Com mais ou menos gente, não há ocorrências de monta a registar e a opinião é unanime: dez em comportamento para a maioria dos banhistas.
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Jovem de 14 anos morre em São João da Caparica
Ainda que os nadadores-salvadores com quem falámos não tenham registo de ocorrências, foi notícia esta semana a morte de um jovem de 14 anos na praia de São João da Caparica, em Almada. A vítima integrava uma colónia de férias da zona de Lisboa que se dirigiu à Costa da Caparica para aproveitar um dia de praia. Cerca das 11h30 da passada terça-feira, o jovem estaria dentro de água com mais crianças, rodeados por monitores, quando perdeu os sentidos. Segundo a Polícia Marítima de Lisboa, a vítima foi retirada inanimada do mar pelos monitores e assistido em terra pelos nadadores salvadores, que utilizaram um desfibrilhador que possuem no âmbito do programa salva vidas da Costa da Caparica, mas não havia nada a fazer, desconhecendo-se as causas da sua morte.






