Em 2020 foram acolhidos 229 animais, tendo a taxa de eficácia (libertação no meio ambiente ou entrega em centros) atingido os 40 por cento. Acordos possibilitam mais ações de sensibilização.
O Centro de Recuperação de Animais Selvagens de Santo André (CRASSA) da Quercus acolheu, no ano passado, 229 exemplares de diversas espécies, tendo logrado obter uma taxa de sucesso, fosse através da libertação ou através da entrega em parques, na ordem dos 40 por cento. Tratou-se de um recorde, que mais que duplicou os valores de 2019 e que deverá ter continuidade em 2021, perspetivando-se que os acordos com entidades privadas e públicas, como o que esta semana foi celebrado com a Águas de Santo André, possam contribuir para a maior e melhor preservação de aves e mamíferos.
A Águas de Santo André anunciou que o protocolo agora celebrado irá incidir sobre os concelhos de Santiago do Cacém e Sines, visando a conservação da natureza, ambiente e biodiversidade. Para a responsável do CRASSA, Carolina Nunes, e também para a presidente da Quercus, Paula Silva, o acordo significa, também, a possibilidade de se obterem mais meios financeiros que ajudem a entidade ambientalista a obter melhores resultados.
“A melhoria dos resultados confirma-se pelos números dos dois últimos anos”, explicou ao Semmais a presidente da Quercus, salientando a necessidade de se continuar a investir na sensibilização e educação e o “contributo decisivo decorrente do subsídio anual atribuído aos centros de recuperação de animais através do Fundo Ambiental do Ministério do Ambiente”.
Para a técnica, os 40 mil euros anuais do fundo ajudam a explicar os resultados dos últimos anos (120 animais recolhidos em 2018, 131 em 2019 e 299 no ano que agora findou), mas não esquece os “importantes contributos de outras entidades, como a câmara e Junta de Freguesia de Santiago do Cacém, o Grupo Sonae, o Badoca Park ou os muitos privados que fazem doações e apadrinham animais”.
Humanos e ataques caninos deixam muitos ouriços órfãos
As aves são os animais que aparecem em maior número no CRASSA. Muitas dão entrada com ferimentos de chumbo, mas também com sintomas de envenenamento ou vítimas de atropelamentos. Entre os mamíferos, segundo a responsável, destacam-se os ouriços, espécie que ainda hoje é capturada e comida pelas pessoas.
“A importância dos protocolos passa também pela possibilidade de nos deslocarmos a escolas e outras instituições e explicar as boas práticas ambientais”, disse ao nosso jornal, Carolina Nunes, lembrando que, no caso dos ouriços, é frequente a entrega de crias que ficaram órfãs em consequência da atividade humana ou por causa de ataques de cães.
Entre as aves que dão entrada destacam-se as cegonhas brancas, as gaivotas e também as de rapina, nomeadamente mochos e corujas de diversas espécies, águias de asa redonda e açores. “Muitas aparecem feridas a tiro. É necessário explicar, a começar pelos mais jovens, que isso é crime”, atestou a responsável do CRASSA.
Carolina Nunes disse que “há agora mais gente a fazer entrega de animais feridos ou doentes”, mas que é necessário continuar a sensibilizar. “Temos protocolos com universidades e entidades diversas e a colaboração de uma veterinária e de toda a estrutura da Quercus. No entanto, as despesas são elevadas. É necessário pagar salários, fazer a manutenção do centro, comprar alimentos e medicamentos para os animais, pelo que toda a ajuda é bem-vinda”.
A Águas de Santo André adianta, por sua vez, que o protocolo celebrado na terça-feira irá também servir para que os seus técnicos possam fazer apresentações subordinadas ao ciclo da água, à eficiente utilização, ao tratamento da mesma para consumo humano e ao tratamento das águas residuais nos dois concelhos abrangidos.
Para além de sessões de esclarecimento, haverá também ações de reflorestação junto da ETAR de Ribeira dos Moinhos e da estação elevatória de Santo André. Está ainda prevista a libertação de animais do CRASSA, limpeza de praias e, a propósito do Dia Nacional da Água, terão lugar iniciativas de sensibilização nas escolas dos 1º e 2º ciclos de Santiago do Cacém e Sines.






