Mais de 30 organizações económicas sociais da região fecharam por falta de meios

Idosos, crianças e jovens são os mais afetados. Estudo do Politécnico de Setúbal diz que nos próximos três meses mais 18 por cento das instituições podem encerrar.

Após um ano de efeitos da pandemia de Covid-19, 33 (22 por cento) de um total de 151 Organizações de Economia Social (OES) do distrito de Setúbal foram obrigadas a encerrar atividade por falta de condições financeiras e materiais. A conclusão é de um estudo nacional elaborado pelos Institutos Politécnicos de Setúbal e Portalegre que concluiu ainda que as instituições mais afetadas laboravam nos sectores da arte, cultura, desporto, educação e juventude.

Denominado “Economia Social em Portugal no contexto Covid-19”, o estudo desenvolveu-se desde março do ano passado. Em Setúbal, uma equipa de investigadores liderada pela professora Márcia Santos concluiu também que entre as pessoas mais afetadas pela crise que está a assolar as OES encontram-se os idosos, seguidos das crianças e jovens.

O estudo a que o Semmais teve acesso revela que para além dos 22 por cento de instituições que encerraram, outras 62 por cento tiveram de reduzir drástica e moderadamente as suas atividades. Apenas 13 por cento das OES dizem que conseguiram manter o mesmo desempenho.

De acordo com os peritos do Instituto Politécnico de Setúbal (IPS) são 52 por cento as pessoas detetadas com carências diversas, destacando-se os idosos, os quais revelam, sobretudo, problemas de saúde física e mental. Estes problemas, afirmam os investigadores, são consequência do isolamento e diminuição de ocupações ativas.

De acordo com a equipa de Márcia Santos foram igualmente sinalizadas crianças e jovens com alterações comportamentais devido ao facto de as escolas terem encerrado e também por viverem em contextos familiares de violência.

 

Muitas organizações podem vir a encerrar no próximo trimestre

Mesmo com as medidas de desconfinamento em vigor, há diversas organizações do distrito que admitem poder vir a encerrar nos próximos três meses. São, mais concretamente, 18 por cento dos inquiridos, sendo que um quinto dos mesmos são Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS).

No inquérito a que responderam, estas organizações referem não ter condições para continuarem a manter os postos de trabalho, sendo que 29 por cento disseram mesmo que não conseguem pagar a totalidades das remunerações.

O estudo, que salienta a resiliência demonstrada pelas organizações, mas também o sentimento de que a Segurança Social teria capacidade e obrigação de auxiliar na resolução dos problemas, refere que 38 por cento dos inquiridos recorreram a apoios públicos para aumentarem os seus recursos, ao passo que 46 por cento diminuíram as despesas não essenciais.

Houve ainda um claro desinvestimento em muitas OES, que optaram por adiar despesas relativas a trabalhos de manutenção, assim como procederam ao encerramento de alguns serviços e ao corte de gastos com pessoal. Do total de inquiridos, apenas 14 por cento afirmaram ter realizado, no período do estudo, parcerias com outras entidades.

Os investigadores revelam, por outro lado, que entre as OES que responderam, foi detetada uma manifesta falta de formação profissional nos quadros. Esta carência reporta-se, principalmente, às áreas que tratam de candidaturas, gestão, contabilidade, finanças, tecnologias e higiene e segurança.

A nível nacional o estudo contemplou 944 OES, sendo de referir que 12 por cento (144) deixaram de realizar quaisquer atividades e que mais 11 por cento admitem vir a encerrar em breve por falta de meios financeiros. Constata-se, pois, que comparativamente ao território nacional, as dificuldades sentidas em Setúbal são a duplicar (no caso dos encerramentos já consumados) e que são igualmente mais acentuadas no caso das instituições que deverão fechar portas nos próximos três meses.