Há momentos para a verdade e sem receios!

NO ÚLTIMO congresso do PSD, em Viana do Castelo, tivemos oportunidade de com clareza defendermos a verdade de factos históricos e assumir posicionamento em defesa de uma estratégia de futuro.

Solicitamos que prestássemos no Congresso uma homenagem a Emídio Guerreiro, um homem corajoso, incansável lutador pela liberdade que foi um dos fundadores do nosso partido em 1974, ao qual emprestou toda a credibilidade dos seus mais de 40 anos de luta contra a ditadura e regimes prepotentes e de combatente pela liberdade e pelos ideais humanos. 

Emidio Guerreiro lutou pela liberdade em Portugal; O Estado Novo demitiu-o de professor Universitário e prendeu-o no Aljube, de onde fugiu e se exilou para fora do país; 

Evacuado durante a guerra civil espanhola de Vigo para França, iniciou aqui novo exílio em 1939. Tinha caído o governo de Léon Blum e o novo executivo, de direita, viu nos refugiados que vinham de Espanha perigosos comunistas e anarquistas, que era preciso isolar da sociedade francesa. 

Emidio Guerreiro foi por isso internado num campo de concentração em Argelais-sur-mer, onde o inverno era particularmente rigoroso. Tirou-o de lá um antigo presidente da câmara local. 

Soube que ele era maçónico e, num dever de fraternidade, deu-lhe dinheiro para ele poder escapar-se, clandestino, para Montauban, onde outros maçons o poderiam ajudar a conseguir uma autorização de residência. Assim passou a residir em Montauban. 

Emidio Guerreiro afastou-se da LUAR e denunciou o facto de Camilo Mortágua e Palma Inácio entre outros andarem em Paris a viver gastando em proveito próprio o dinheiro roubado no Banco de Portugal, que deveria servir para derrubar Salazar. 

Tal polémica e acusações de desvio de fundos chegaram mesmo a tribunal nos anos 90.

Com o 25 de Abril de 1974 Emidio Guerreiro regressa de Paris onde se encontrava exilado, a Portugal, onde aderiu ao PPD de Francisco Sá Carneiro; 

Em 1975 Emídio Guerreiro, com a doença e ausência do líder no estrangeiro, substituiu Sá Carneiro, como Secretário Geral do então PPD quando Sá Carneiro se ausentou para se tratar em Londres. Cargo que desempenharia com grande vivacidade apesar dos seus 76 anos.

Mas logo no final desse ano de 1976 saiu do PPD e abandonou a vida política com 76 anos.

Naquela homenagem a Emidio Guerreiro quero saudei as centenas de militantes do PSD que se revêm no ideal maçónico patriótico, da liberdade e do respeito da lei, seguindo as pisadas de ilustres patriotas que ajudaram a construir a República e o regime democrático, tais como:

Sendo militante de uma seção pequena, Alcochete, que é o espelho das questões internas comuns em muitos pontos do país e no partido, trabalha-se mais para as vaidades pessoais do que ao serviço da causa pública e do humanismo. 

Aproveitamos para relembrar que o distrito de Setúbal, apesar de fazer parte da Área Metropolitana de Lisboa, também tem eleitores do PSD e têm que ser ouvidos. 

Alertei o presidente do partido que os militantes deram-lhe uma nova oportunidade para lutar na mudança do poder e que não a despreza-se porque não é a sua carreira, que está em causa é a sobrevivência do Partido no seu todo. 

Exortei a assumir a defesa do humanismo e de uma estratégia para Portugal contra os ortodoxos socialistas, começando por valores da igualdade de seres humanos no espaço de falantes de língua portuguesa, não podemos apregoar que há irmandade de povos quando há tratamento discriminatória pela cidadania.

Sugerimos que fizesse uma reflexão interna e organizativa do partido para acabar com as estruturas distritais quando, organicamente o país quase não tem organismos do Estado de génese distrital. 

Desse modo haverá um salto qualitativo na qualidade dos representantes do partido de um modo geral.

Se houve coragem política no Parlamento para impor o fim de uma linha circular do Metropolitano em Lisboa, o partido deveria assumir a correção do erro histórico e estratégico para o desenvolvimento económico que é manter a opção da pista de aterragem no Montijo e que haja coragem de impor a clarividência governativa de que Lisboa precisa de um novo aeroporto para o futuro que a opção é Alcochete.

Deixemos de mediocridade e pensamentos curtos eleitoralistas.

ESPAÇO ABERTO E LIVRE
Zeferino Boal
Colaborador